Archive for the ‘Musicalização Infantil’ Category

42-18877559Mesmo sendo comprovada a importância da música nas escolas, atualmente o que encontramos nas escolas são práticas isoladas, bastante variáveis e irregulares. Em algumas poucas escolas há professor e carga horária específica para música; em outras, só há o ensino da música na educação infantil (mesmo assim como função recreativa); em outras, a aula de música se resume a formar e a ensaiar uma banda ou um coral, porém, tais práticas envolvem apenas alguns alunos, deixando a maioria excluída.

Sendo assim, se visamos uma educação musical que atenda a todos os alunos, a constituição de pequenos grupos, como o coral ou a banda, não atenderia ao propósito de uma educação ampla e democrática. O que se vê na maioria das vezes é que o espaço reservado para a música está incluído no da Educação Artística, disciplina que ainda tem as suas atenções voltadas para as artes plásticas ou cênicas.            

Decorre daí que o professor de Educação Artística, de formação abrangente e polivalente, não encontra meios para desenvolver objetivos propriamente musicais. No contexto atual, marcado pelo crescente avanço da tecnologia, várias manifestações culturais se propagam de modo bastante intenso, rápido e diversificado. Não seria exagero imaginar que as crianças e jovens, fortemente influenciados pela mídia, teriam à sua disposição uma variedade musical imensa e rica, formada por músicas de vários estilos, formas e épocas.     

Entretanto, sabemos que essa disponibilidade não está ao alcance de todos e, o que é pior, contempla apenas aqueles que dispõem de condições apropriadas para a sua apreensão. Isso significa que a escola prioriza aqueles alunos que já possuem capital cultural, privilegiados de uma classe cultivada, para a qual vem direcionar um ensino elitista e excludente.

É necessário, o resgate da alegria escolar, e tomarmos consciência das verdadeiras carências pedagógicas no domínio do ensino musical e projetar um plano estratégico, transparente e inovador, que tenha objetivos claros e bem definidos que possam ser efetivados no cotidiano da vida escolar.

Se o verdadeiro objetivo é aproximar o aluno da música, levando-o a gostar de ouvi-la, apreciá-la e compreendê-la, é preciso, com urgência, preencher o vazio musical no cotidiano escolar o qual, ao mesmo tempo, como num acellerando, deixa-se escapar aos nossos olhos, e como um allargando, deixa-se escapar aos nossos ouvidos.

Pra. e Pedagoga; “Fernanda Donatelli Goes”

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infantil

 Fernanda Piffer Donatelli Goes

Iniciou seus estudos musicais ainda criança, complementando seu aprendizado ao piano, no Conservatório Musical Souza Lima, onde demonstrou suas habilidades no instrumento. Formou-se no curso de Licenciatura Plena em Música pela Faculdade de Artes Alcântara Machado (FAAM), com professores renomados, tais como: Marisa Lacorte, Abel Rocha, Sidney Molina, Marcos Pupo Nogueira, Marisa Ramires, entre outros. Atualmente exerce atividade didática com crianças, desenvolvendo um método próprio que facilita o ensino musical infantil, tendo como base o Educador Musical Edgar Willians, onde participou de cursos. Escreveu diversas músicas para piano que vai desde simples minuetos e arranjos corais, até sofisticados Prelúdios e Sonatas, utilizando as técnicas pertencentes a música Clássica e Barroca, trabalhando com elementos musicais contrastantes, que traz a idéia de colocar a harmonia e melodia no mesmo nível, utilizando progressões harmônicas e modulações. É pianista do Ministério Tornado de Fogo, onde gravou um CD em 2004.

 

O piano é um instrumento musical onde cada nota está “pronta”, e os intervalos podem ser visualizados em suas teclas. Além disso, é um instrumento ao mesmo tempo melódico e harmônico. A flauta doce, apesar de seu “simples” manuseio, é um instrumento que exige o controle do sopro e o desenvolvimento da coordenação motora fina, para se obter um som afinado e um ritmo preciso. No caso do violão e do violino, é necessário “construir” as notas, apertando ou friccionando as cordas. Todos esses fatores contribuem para que os instrumentos de teclado sejam os mais indicados para se iniciar um trabalho de musicalização através de um instrumento musical, a partir de três anos de idade. Isso não quer dizer que não devemos apresentar o maior número possível de instrumentos musicais diferentes (com seus diferentes timbres, inclusive os de percussão) desde muito cedo, pois todas as informações são enriquecedoras e muito importantes nesse período, servindo como estímulo e como base para um trabalho posterior.

O primeiro passo, é a exploração dos sons do piano, através de histórias e brincadeiras rítmicas, em que a criança tenha oportunidade de conhecer todas as regiões do teclado (grave, médio e agudo). Como por exemplo, no método de “Elvira Drummond (Caderno preparatório)”, em que se brinca de tocar o ritmo do próprio nome da criança, em várias regiões com a mão fechada, com movimentos simultâneos das mãos direita e esquerda, alternada, com percussão na tampa do piano, palmas e pés (para o desenvolvimento da coordenação motora), ou o “passeio” com a palma da mão e o braço bem relaxado, por todo o teclado, preparando para uma posterior técnica pianística perfeita. Ou então, uma brincadeira, contando a história de um lobo ou leão (na região grave), e de um passarinho que canta na árvore (na região aguda), passando por um “glissando” na corrida, ou “staccatos” (saltos) dos sapos, com a participação da criança, que toca junto, acrescentando elementos ou “dialogando” através de sons no piano. Nessa fase trabalham-se principalmente as propriedades do som: altura (grave/agudo), intensidade (forte/fraco), duração (curto/longo) e timbre (que pode ser trabalhado no teclado eletrônico). A fase seguinte é a de familiarização e compreensão da disposição das teclas brancas, tocando-se a princípio somente nas teclas pretas, num sistema que favorece o desenvolvimento não só dos dedos e sim de todo o sistema locomotor dos membros superiores. Assim criança aprende a “ver” os grupos de duas e três teclas pretas, a localizar as notas nas teclas brancas tanto auditivamente, quanto digitalmente. Exemplo: Tocando com os três dedos maiores (dedos 2,3 e 4 das duas mãos), nas três teclas pretas.
Tudo isso é feito na fase da leitura. Ensina-se por memória. Pedir à criança que faça um som bonito (tonalização). Esse assunto envolve também a questão “Método Suzuki”, e outras metodologias de autores americanos e alemães.

Estrutura do curso de musicalização infantil

– 1 aula individual de instrumento por semana com duração de 50 minutos.
(Instrumentos: Piano; Flauta doce).

– 1 aula em grupo de musicalização com duração de 50 minutos.

Cronograma de Estudo

Musicalização Infantil – Crianças a partir de 5 anos

Módulo 1
Duração: 6 messes

– Pulsação
– Altura
– Timbre
– Intensidade
– Duração
– Sons graves, médios e agudos
– Instrumentos de orquestra
– Notas musicais
– Figuras rítmicas
– Improvisação
– Imitação
– Arranjos Coletivos

Objetivo: estimular e desenvolver a coordenação motora, identificar figuras rítmicas e seqüência de notas, relacionarem o som com o movimento, iniciar a escrita gráfica dos sons, perceber e descriminar os sons, criar conceitos de pulsação, timbre, intensidade e duração através de jogos, histórias e músicas diversas criando uma intimidade do aluno com o universo musical.

Módulo 2
Duração: 6 messes

– Pentagrama
– Claves
– Pulsação
– Timbre
– Intensidade
– Duração
– Figuras Rítmicas e respectivas pausas
– Repertório de musicas tocadas por imitação
– Improvisos
– Arranjos coletivos
– Iniciação a Leitura

Objetivo: Distinguir e separar os sons, desenvolver conceitos de pulsação, relacionar o som com a escrita, altura, timbre, intensidade e duração através de histórias, músicas, jogos e brincadeiras entrosando o aluno para que expresse todo o seu potencial.

Módulo 3
Duração: 6 messes

– Compassos
– Claves
– Barras de divisão (compasso)
– Figuras rítmicas
– Ligaduras
– Ponto de aumento

Objetivo: Reconhecer, ordenar, ler e escrever as notas musicais, reconhecer formas básicas e modos maiores e menores, através de histórias, jogos e brincadeiras divertidas formando no aluno um caráter musical.

Módulo 4
Duração: 6 messes

– Figuras rítmicas
– Fórmulas de compassos
– Sinais de alteração
– Tom e semitom
– Intervalos
– Andamentos
– Sinais de intensidade

Objetivo: Reconhecer, ordenar, ler e escrever as notas musicais, reconhecer formas básicas e modos maiores e menores, através de histórias, jogos e brincadeiras divertidas formando no aluno um caráter musical.

Exemplo de aula para crianças a partir de 5 anos

Conteúdo: Pulsação / Andamento
Objetivo: Proporcionar a movimentação natural, percepção de velocidade (rápido/lento), conduzir o aluno a perceber o corpo como produtor de som e de movimentos.

1 – Pedir aos alunos que andem tranqüilamente pela sala e verifiquem a sua pulsação, depois ao som de uma música, deixá-los correr e ao final comparar as pulsações que estarão mais rápidas.
2- Cantar e bater palmas na pulsação da música.
3- Contar a história da Bíblia: “A arca de Noé”, e pedir para os alunos imitarem os passos da tartaruga (lento), do coelho (rápido), e realizar um jogo de locomoção espacial – a entrada dos animais na arca de Noé.
4- Pedir para os alunos sugerirem um animal com passos lentos e depois com passos rápidos, sempre utilizando o recurso da imitação.

Obs. Em todas as aulas serão propostos jogos e atividades que envolvam histórias e temas Bíblicos como fonte de material para o aprendizado.